acho que perdi a voz

minha irmã me disse que minha cabeça anda muito acelerada. pensamento tropeçando em pensamento. eu a disse que a praia iria me curar disso, e curou. agora minha cabeça é silenciosa, e que delícia morar no silêncio. que delícia é não enxergar além do que está na minha frente. que reconfortante é a censura dessa névoa em que está minha mente, e que dor familiar sinto ao me guardar nela. já não formulo conclusões apreensivas, apenas existo dentre a apreensão inconclusiva e permito-me existir assim, sem formular e, logo, sem falar. hoje, existo apenas dentro de mim, lá fora é demais para minha frágil existência e forte apreensão. não aguento as coisas como elas são, hoje não. não aguento estar errada, estar enganada, estar no lugar de ardor. então não estou em nada. aliás, minto, gostaria de não estar em nada. mas estou onde sempre estive, em algum grau. estou na névoa.

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