Ando leve

Recentemente, compreendi. Carregava comigo todos os fardos – alguns meus, alguns peguei emprestado. Não sabia onde colocá-los. Para a minha surpresa, não se guarda o peso em lugar algum, se deixa ele para trás. Os deixei em seu lugar, no passado. Às vezes, olhando pra trás, ainda consigo vê-los. Não sei como fiz isso, mas está feito. O único caminho é andar adiante. Nunca andei para frente com tamanho ímpeto. Jamais achei que isso seria possível, é como se fosse uma metamorfose, mas sou mais eu do que era antes. “Nunca vi a Sabrina tão Sabrina”, disse um amigo. Também nunca me vi tão Sabrina. E sei por quê. Tive coragem. Estou acostumada a me prender ao passado, mas tenho descoberto um fascínio por viver no presente. Vejo o passado, o presente e o futuro com outros olhos, olhos novos. Abandonei os andares tortuosos que sempre descrevi. Com as mãos trêmulas, abri a porta e andei adiante – meus pés me surpreenderam em sua firmeza. Tenho descoberto que sou capaz de muito mais do que imaginava. Talvez o segredo realmente seja preencher os espaços vazios com coisas vivas. Julgava o mundo opaco, sem perceber que o brilho deve estar nos olhos. Meu sangue corre, meus pés andam e meus olhos brilham. Assim me faço eu. Renasci, mas, dessa vez, deixei muitas coisas em meu antigo corpo, pois não me pertencem mais. Cinzas sobre cinzas, como deveria ser. Guardei as garras, não me são necessárias. Elas se agarravam em cada passo, como eu esperava andar dessa forma? Agora, ando leve.

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