11 de dezembro de 2024
Ainda não tenho força para perdoar. Talvez “força” não seja a melhor palavra, o que tento dizer é que perdoar exige que se faça as pazes com o que foi para mim. E o que foi, de fato? Foi agarrar o brilho e vê-lo tornar-se opaco nas minhas mãos. Acho que a maior dificuldade está em fazer as pazes com a vida como ela é: imperdoavelmente fiel às antíteses. Fiel ao brilho, ao divino – e fiel ao mundano, ao terreno, ao opaco. Fazer as pazes, também, comigo como sou: ingênua quando colocada frente a frente com meus desejos. Por natureza, equivocada na minha própria consciência.
Por fim, fazer as pazes com quem perdi. No fim das contas, eu o perdi, ele me perdeu, nos perdemos. Parece simplista ou até reducionista, mas é do que se trata. No fim das contas, pouco importa quem perdeu o quê. O ponto é que perdemos. Longe de mim colocar tudo isso nas costas de outro alguém, esse peso também é meu, e existem bagagens minhas despachadas ao longo dessa odisseia. O problema é que me preocupo demais, me questiono demais. Se eu me permitir, me afundo em perguntas e deixo com que a enchente me leve. É eterno o dilúvio da ausência de respostas. Coloquei todas as minhas cartas na mesa, e assim ficaram. E aqui encontro o desafio que é compreender que pouco me importa as cartas que faltam. Não são minhas para devanear. Posso dissecar tudo o que sou, me desfazer por inteiro, e de nada adiantaria. As respostas não são minhas para ter, mas evitar de me perguntar parece a antítese de mim mesma.
Talvez há de se aprender a ser fiel ao pragmatismo. Não sei dizer, esta resposta também não tenho.